Atendimento humanizado e capacitação são desafios

 

Depois de anos como membro do Conselho Municipal de Saúde, Ivete Costa Cipolla recebe o comando da pasta das mãos do prefeito Du Altimari

 



 

(Rodrigo Salles) - Desde que ajudou a fundar o Conselho Municipal de Saúde, em 1991, Ivete Costa Cipolla sempre foi uma voz crítica e respeitada dentro do setor. Agora no comando da Fundação Municipal de Saúde, Ivete passou da oposição para a situação.
Professora aposentada e ex-coordenadora pedagógica de Ensino Fundamental, Ivete tem larga experiência em políticas públicas e trabalho voluntário nas áreas da Saúde e Educação, tendo no currículo diversos cursos de extensão universitária sobre as duas áreas. Atualmente faz parte da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de Rio Claro e também é membro atuante da Rede Feminina de Combate ao Câncer.
Uma das propostas da nova presidente da Fundação são mudanças na parte operacional da pasta. "Temos que humanizar o atendimento nos prontos-socorros e unidades básicas. Para isso, devemos encontrar alternativas para a capacitação de nossos funcionários", diz Ivete.
Ao chegar para o primeiro dia de trabalho, na última sexta-feira, Ivete Costa Cipolla teve como primeira atividade uma reunião com os funcionários que trabalham na sede administrativa da Fundação.
“Faço questão de iniciar meu trabalho com esta reunião, pois reconheço a importância de cada um de vocês para o bom funcionamento dos serviços de saúde, espero contar com o apoio de todos e sei que vou aprender com vocês”, disse Ivete.
A nova presidente da Fundação anunciou que haverá mudanças na  estrutura funcional para melhor aproveitamento do potencial de cada  funcionário. “Renovação é importante”, afirmou.
Na reunião foram apresentados três dos diretores que trabalharão ao lado de Ivete. O médico José Augusto Rizzardo, 51 anos, assume como diretor médico geral. Antonio Parizotto, 72, é o diretor geral de finanças. Edison Rodrigues Filho, 36, que é funcionário de carreira da Fundação, será o diretor geral de administração. O médico Marco Aurélio Mestrinel foi mantido como diretor médico do Pronto-Socorro Municipal Integrado.
Na entrevista a seguir, Ivete Cipolla fala com exclusividade ao Jornal Cidade sobre seus planos e perspectivas no comando da Fundação Municipal de Saúde.

 

Como a senhora recebe a presidência da Fundação Municipal de Saúde?

 

Ivete Costa Cipolla - Recebo com a exata dimensão da responsabilidade de oferecer à população o melhor sistema público de saúde possível. A nível nacional, a saúde conseguiu avançar muito nos últimos anos. Porém, a demanda é sempre crescente e a população não quer apenas mais oferta de médicos e hospitais e sim qualidade no atendimento. Por esse motivo, minha principal meta é colocar à disposição dos pacientes um atendimento humanizado e cristão. Isso somente será possível apenas investindo na capacitação dos funcionários, desde os atendentes até os médicos.

 

Já nesses primeiros dias de trabalho existe algum grande desafio a ser superado?

 

ICC - Confesso que teremos dificuldades para pagar o salário referente a dezembro dos 950 funcionários da Fundação. São aproximadamente R$ 1,8 milhão que estão faltando no caixa graças à gestão anterior. Tirando esse problema, que com toda a certeza será solucionado, a etapa agora é tomar pé da realidade da saúde em Rio Claro. Conhecer o que de fato pode ser modificado, aprimorar o que já funciona e implantar o que ainda não existe e faz falta. Tudo isso pretendo fazer nos próximos 20 dias.

 

O que vai ser feito com o prédio do chamado hospital do Cervezão, onde por enquanto somente foi transferido o Pronto-Atendimento?

 

ICC - Precisamos averiguar, junto ao Ministério da Saúde, como anda a questão de legislação e credenciamento. Com certeza, a inauguração do hospital, que demorou anos para acontecer, é uma grande conquista para a zona norte de Rio Claro e deve ser valorizada.

 

Na semana passada foi inaugurada uma farmácia no antigo Pronto-Atendimento. Como vai funcionar este serviço?

 

ICC - A idéia de implantar uma farmácia na zona norte é antiga. Eu já estive lá hoje mesmo [na sexta-feira] para estudar a possibilidade de ali funcionar uma farmácia 24 horas. Para isso precisamos de mais recursos e funcionários, mas é possível. Atualmente, o que funciona no antigo PA é entrega de remédios para os usuários do mesmo.

 

Um dos maiores problemas da Saúde é o excesso de pacientes nos prontos-socorros. O que fazer para amenizar o problema?

 

ICC - Precisamos oferecer capacitação e treinamento adequado no sentido de termos equipes com agilidade e eficiência. Reconheço que há falta de médicos. Este é um problema que pretendo sanar.

 

Qual é o orçamento da pasta para 2009? Esse valor é suficiente para todos os serviços necessários?

 

ICC - A Fundação Municipal de Saúde conta com R$ 63.039.400,00, sendo que deste montante R$ 42.598.000,00 vêm dos cofres municipais, representando 19% do orçamento da prefeitura para o ano em exercício. Acredito que vem a contento, mas é necessário lembrar que boa parte destes recursos vai para a folha de pagamento. Só saberei se o dinheiro é suficiente ou não quando estiver mais íntima do funcionamento do sistema.

 

O Conselho de Saúde, do qual a senhora era presidente, sempre teve uma postura crítica em relação ao trabalho da Fundação. Com sua nomeação à presidência da autarquia, como fica essa relação?

 

ICC - Faço o que denomino controle social há 18 anos. Se não conseguir atingir meus objetivos e satisfazer as expectativas da população, colocarei meu cargo à disposição do prefeito Du Altimari. Minha autocrítica continuará a mesma e ainda espero que funcionários e usuários também contribuam construtivamente para que a Fundação tenha a gestão que merece.